Morte que impulsiona vida
fevereiro 1, 2010 por Diego Amorim
Não sabemos quando a morte vem.
Por mais óbvia que ela seja em alguns casos, ela é sempre uma surpresa. Sempre nos pega despreprados, desprevenidos.
Esta semana, fez um ano da morte de Osíris Del Corso, colega e irmão de uma grande amiga, que hoje mora em Curitiba.
A morte de Osíris, alvejado por um criminoso ao tentar salvar a namorada de um estupro, dói a cada dia na alma dos que o conheciam.
A vida segue. Tem que seguir.
Lá se vão seis meses da morte de Carlos Henrique Naón da Silva, o Kaká, outro colega que sofreu um acidente de trânsito aqui em Brasília e deixou um tremendo vazio no coração de mãe, pai, irmão e amigos.
A vida também segue. Apesar de tudo, segue.
Hoje recebi a triste notícia da morte da irmã de um grande amigo, alguém que me ajuda a ler a vida como ninguém. Trata-se de uma jovem de 26 anos, vítima de uma grave infecção.
A vida seguirá. Sei que seguirá.
E nós? O que queremos da vida? O que buscamos?
Quais têm sido as nossas preocupações, nossas angústias, nossas vontades? O que tem ocupado nossos pensamentos?
Perdemos tanto tempo com besteira. Gastamos tanta energia nos martirizando à toa, nos humilhando por migalhas, chorando derrotas infundadas.
Quantos de nós já não nos maltratamos com sofrimentos fantasiosos?
A gente custa a acreditar, mas tudo e todos passam. E muito rápido.
Mais cedo ou mais tarde, será a nossa vez de morrer.
Tem gente que não gosta nem de ler isso, e tem uma tremenda dificuldade de aceitar isso. Faz parte da nossa cultura ocidental.
É cada vez maior o bloco dos descontentes com a vida, dos que acham que é balela parar pra pensar no que estamos fazendo com a nossa história.
Enquanto isso, vamos levando a vida. Deixando a vida nos levar.
Nossa plenitude está mais perto de nós do que podemos imaginar. É mais simples do que pensamos.
A verdade é que a morte não pode nos amedrontar.
Pelo contrário. A certeza dela precisa nos impulsionar a viver.
