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Morte que impulsiona vida

Não sabemos quando a morte vem.

Por mais óbvia que ela seja em alguns casos, ela é sempre uma surpresa. Sempre nos pega despreprados, desprevenidos.

Esta semana, fez um ano da morte de Osíris Del Corso, colega e irmão de uma grande amiga, que hoje mora em Curitiba.

A morte de Osíris, alvejado por um criminoso ao tentar salvar a namorada de um estupro, dói a cada dia na alma dos que o conheciam.

A vida segue. Tem que seguir.

Lá se vão seis meses da morte de Carlos Henrique Naón da Silva, o Kaká, outro colega que sofreu um acidente de trânsito aqui em Brasília e deixou um tremendo vazio no coração de mãe, pai, irmão e amigos.

A vida também segue. Apesar de tudo, segue.

Hoje recebi a triste notícia da morte da irmã de um grande amigo, alguém que me ajuda a ler a vida como ninguém. Trata-se de uma jovem de 26 anos, vítima de uma grave infecção.

A vida seguirá. Sei que seguirá.

E nós? O que queremos da vida? O que buscamos?

Quais têm sido as nossas preocupações, nossas angústias, nossas vontades? O que tem ocupado nossos pensamentos?

Perdemos tanto tempo com besteira. Gastamos tanta energia nos martirizando à toa, nos humilhando por migalhas, chorando derrotas infundadas.

Quantos de nós já não nos maltratamos com sofrimentos fantasiosos?

A gente custa a acreditar, mas tudo e todos passam. E muito rápido.

Mais cedo ou mais tarde, será a nossa vez de morrer.

Tem gente que não gosta nem de ler isso, e tem uma tremenda dificuldade de aceitar isso. Faz parte da nossa cultura ocidental.

É cada vez maior o bloco dos descontentes com a vida, dos que acham que é balela parar pra pensar no que estamos fazendo com a nossa história.

Enquanto isso, vamos levando a vida. Deixando a vida nos levar.

Nossa plenitude está mais perto de nós do que podemos imaginar. É mais simples do que pensamos.

A verdade é que a morte não pode nos amedrontar.

Pelo contrário. A certeza dela precisa nos impulsionar a viver.

Em suas mãos

Não entregue a ninguém a decisão de ser feliz.

Ela é sua. Só sua.

Tenho aprendido isso.

Brasília, 31ºC

O céu da capital federal nunca esteve tão azul e tão cheio de nuvens doidas.

Tinha que ser proibido trabalhar no verão.

Vida boa

Experimente ligar para uma repartição pública em uma tarde de sexta-feira. Acabei de tentar falar com três aqui em Brasília.

Duas não atenderam.

A que atendeu disse que “o expediente já acabou” por lá.

São 15h35.

Como um leproso

Vejam o que escreveu o jornalista Ilimar Franco, em O Globo de hoje. Nesta mesma cerimônia, Arruda foi vaiado.

O cerimonial da Presidência da República teve trabalho dobrado ontem na solenidade da Copa de 2014. Ninguém queria o governador José Roberto Arruda (DF) por perto.

O presidente Lula não queria ser fotografado apertando sua mão, e o governador José Serra (SP) não o queria ao seu lado.

Arruda foi deslocado para uma cadeira ao lado de Jaques Wagner (BA), e a assinatura do termo de cooperação foi simbólica para evitar embaraços.

“Se você soubesse quem você é…”

grazi

Quis fazer o teste ontem à noite.

Na hora do Big Brother, coloquei a TV no mute e… bingo!! Consegui ouvir a voz de Pedro Bial ecoando entre os prédios da quadra onde moro.

Parte do Brasil, mais uma vez, vai parar pra ver esse programa.

Eu, de verdade verdadeira, nunca acompanhei nenhuma edição.

Não, não sou “pseudocult”, apesar de usar All Star há quase dois anos. Prefiro Hollywood. Sempre preferi. Frequento a Livraria Cultura menos do que gostaria. E não curto Mafalda. Sou mais Turma da Mônica mesmo.

Já fui mais radical em relação ao BBB. Cheguei a blasfemar contra a divindade de Bial e a sentenciar todos os “brothers” à solidão eterna. Exagero.

Fui, por exemplo, como todos nós fomos, surpreendidos com o talento de Grazi Massafera. Uma boa surpresa fruto do reality show.

Enfim, estou mais flexível. Ontem, inclusive, na estreia, como perceberam, vi um pouco do programa – o suficiente pra me convencer de que, de fato, não perco nada deixando de assisti-lo.

Mas cada um faz o que quer com o tempo livre. Tem gente que joga paciência no computador. Tem gente que vê BBB. Tem gente que lê Paulo Coelho. Tem gente que escreve pra blogs.

Enquanto ouvia ontem as pérolas de Pedro Bial e observava aquela gente empolgada, feliz da vida com a fama repentina, fiquei pensando nos rincões desse país. Em lugares onde a TV é tudo, tudo mesmo. Onde não há paciência, Paulo Coelho nem blogs para servirem de planos B, C ou D.

A essa gente resta inebriar-se de BBB e deliciar-se com as novas celebridades.

Vida fútil, é verdade. Mas até a futilidade tem sua função. Pode nos ensinar alguma coisa. Aliás, tem gente que acha fútil conversar sobre filmes de Almodóvar e analisar o noticiário do dia.

Tá certo que o BBB, além de fútil, vem acompanhado de uma enxurrada de ensinamentos toscos, de apologia a valores diferentes do que quero pra mim. Mas ele não é o único a promover isso.

A vida é feita de várias leituras. Entender isso torna tudo mais leve.

E – querem saber? – que venha mais uma Grazi!

Credo em cruz!

O Programa Nacional de Direitos Humanos indica a proibição do uso de símbolos religiosos em instituições públicas. Apesar da polêmica, o presidente Lula já sinalizou que deve aprovar integralmente esse trecho do documento.

Não vejo diferença em ter ou não crucifixo nos plenários do Congresso Nacional e nos tribunais de todo o país. Se for para tirá-los, que tirem.

Porém, preocupa-me como cidadão a decisão de banir os símbolos religiosos.

É cada vez mais forte o movimento dos que querem fazer valer o Estado laico, garantido pela Constituição. Ocorre que esse Estado laico que defendem não é laico. É visivelmente contrário à Igreja.

Estado laico não significa Estado pagão, muito menos ateu.

Às vezes se esquece um princípio básico da espiritualidade: o de que a não-religião é uma religião.

Teme-se fanatismo por parte de religiosos, mas decisões como essa causam, na minha opinião, muito mais temor.

Reclamam da feia aparência do papa Bento XVI, mas também apedrejam o “mauricinho” do padre Fábio de Melo. Atiram pra todos os lados.

Daqui a pouco terão de mudar o nome dos estados de São Paulo, Santa Catarina e Espírito Santo.

Mandarão demolir o Cristo Redentor.

Nenhum time de futebol vai poder mais ter nome de santo.

O rio São Francisco, também, não poderá mais ser chamado assim. O Estado é laico. E o rio é do povo.

E a população estará terminantemente proibida de exclamar “Nossa Senhora!”. Coitados dos mineiros…

Seja Prudente!

“Ah, então você é de Brasília? Tá escondendo dinheiro na meia, né? Mostra aí!”, provocou-me o segurança de um bar em São Paulo, mês passado.

Leonardo Prudente, o deputado flagrado colocando maços de dinheiro nas meias, virou motivo de piada nacional. Mesmo assim, se segura no cargo de presidente da Câmera Legislativa do Distrito Federal.

Essa é a melhor piada.

Alô? Tem alguém aí?

Passava da meia noite de hoje quando liguei para a central de atendimento da TAM, que funciona 24 horas.

Ouvi a seguinte mensagem gravada:

“Todos os nossos atendentes estão ocupados no momento. O tempo previsto de espera é de 30 minutos”.

Coloquei o telefone no viva-voz e fiquei a esperar os 30 minutos passarem.

Desliguei quando depois de 38 minutos ninguém me atendeu.

O que todos os atendentes da TAM faziam àquela hora? Todos ocupados em atendimento? Custo a acreditar.

Depois de ver Avatar…

Se os índios do Noroeste forem ao cinema, Paulo Octávio está lascado.

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