Há esperança
janeiro 24, 2008 por Diego Amorim
Preciso ser justo.
Sempre aproveito o espaço deste blog para externar minha indignação com situações em que, no país do “cumprir ordens”, o bom senso é deixado de lado.
Ocorre que na segunda-feira o paradigma foi quebrado. E, portanto, sinto-me na obrigação de relatar o fato, apesar de achar que, infelizmente, tudo não passou de um caso isolado.
A história foi a seguinte: cheguei encharcado em uma das entradas do Ministério da Saúde. Chovia muito no momento. E eu tinha ido andando do Congresso até ali, onde uma entrevista coletiva começaria em poucos minutos.
De início, claro, o segurança não permitiu que eu entrasse por ali. Como um robô, ele alegou que a entrada da imprensa não era aquela e que - não podia faltar - estava apenas cumprindo ordem.
Respondi a ele que sabia que a entrada correta não era aquela. Mas pedi que ele apenas olhasse para mim, encharcado, e para a chuva que caía do céu.
- Amigão (forcei a barra), estou todo molhado. Você está vendo? Se eu andar até a outra entrada vou me molhar ainda mais. Eu sei que a entrada correta não é esta. Mas, não daria para eu entrar por aqui? Só pra que eu não me molhe mais e consiga chegar à coletiva em tempo.
Ele voltou ao seu posto, fez uma ligação e trouxe a resposta minutos depois:
- Ok, senhor.
Agradeci e fui entrando. Foi quando escutei dele:
- Você entende, não é? São ordens.
Claro, claro que entendo.
Todavia, apesar dos pesares, valeu. Há esperança. Tem que haver.