Tentando ler a vida na morte
maio 28, 2008 por Diego Amorim
O olhar daquela senhora mexeu comigo. E com todos os que estavam ali. Era um olhar fixo no corpo daquele jovem que ela criou como um filho. Um olhar doído, choroso, gemido.
- Antônio, meu filho, levanta daí. Pára com isso, Antônio, levanta daí – gritava ela, desesperada.
Antônio estava morto. Levou um tiro na nuca. A bala atravessou a boca. Ele pichava casas em Sobradinho II (DF). Foi o morador de uma das casas que atirou no garoto.
A vida passa, minha gente. E passa rápido. Ver um corpo caído no chão, sem vida, faz a gente pensar muito no que fazemos da nossa vida.
Foi a terceira vez que tive que cobrir um "presunto", como se diz no jargão jornalístico. Ossos do ofício.
Passei o dia pensando na vida. Na dor daquela senhora. Naquele jovem de 17 anos morto. Naquela mutidão de curiosos acostumada com aquilo.
Quem tiver sangue frio e interesse em saber mais detalhes do que aconteceu, a matéria completa estará na edição desta quinta do Correio Braziliense.