A inesquecível UnB
setembro 18, 2008 por Diego Amorim
Caros leitores da vida, segue uma crônica que escrevi a pedido de uma professora da UnB. O texto seria publicado no portal da universidade. Como não deu certo, aqui está:
Tudo na vida passa. E passa rápido. É por isso que os adeptos do carpe diem – expressão latina que significa algo como "aproveite o dia" – fazem tanta questão de tentar curtir cada minuto do que vivem. Eu sou um deles. Acredito que não saborear a vida é perder oportunidade.
Hoje, com pouco mais de um ano de formado, posso dizer que saboreei meus quatro anos de Universidade de Brasília. Sempre que cruzo o campus relembro-me da rotina universitária e deixo que meus pensamentos me façam reviver o que vi, ouvi e senti como aluno.
Mas, confesso que em nenhuma dessas vezes o flash back foi tão intenso como durante a ligação que recebi, esses dias, da jornalista e professora Rosângela Vieira Rocha, minha orientadora do projeto de conclusão de curso. Com o mesmo tom de voz e a mesma paciência que demonstrava quando falávamos sobre o trabalho final, ela pediu que eu escrevesse algo sobre a universidade. Naquela ligação estava o mote deste texto.
Sentir-me por alguns minutos aluno da UnB, mesmo já sendo um ex-aluno, reacendeu o orgulho de ser UnB de alguma forma.
Orgulho como o que saboreei quando vi meu nome na lista de aprovados do 2º vestibular de 2003. Até hoje ainda espero sentir alegria parecida com aquela. E o que me alegrava era saber que passaria alguns anos da minha história consumindo boa parte dos meus dias em um lugar que tem cheiro, sabor, cor e vida. Por mais que eu não soubesse a dimensão disto, entrava, naquele instante, num mundo que me tornaria menos apático diante da própria vida e mais consciente do papel que deveria exercer quando saísse dali.
Foram quatro anos que passaram tão rápido quanto nas vezes em que, atrasado, tive de apressar o passo entre a parada de ônibus da avenida L2 e o Minhocão, onde fica a Faculdade de Comunicação. A meta era chegar na sala de aula a tempo de responder à chamada. Quando percebia que não iria conseguir, deixava pra lá e, confesso, nem me estressava tanto. Aproveitava para caminhar sossegado pelo gramado do cerrado e contemplar, sem pressa, o reflexo do sol forte nas águas do Lago Paranoá, ao fundo.
Depois das discussões acaloradas e recheadas de discursos críticos em sala de aula, era hora de comer. A cada almoço no Restaurante Universitário, o visitante vive uma experiência diferente, apesar de o gosto da comida e o sabor do suco serem quase sempre os mesmos. Aliás, isso não importa, é mero detalhe. Render-se ao bandeijão, mais do que decidir comer bem e com pouco dinheiro, representa ser impregnado por uma universidade ainda mais plural do que a que se vê nos corredores do Minhocão ou nas aulas de Canto Coral.
Quando se saboreia a UnB, ela deixa marcas indissolúveis. Não prego saudosismo por saudosismo. Remoer-se em lembranças é fazer com que elas percam força, é impedir que o passado cumpra seu papel de passado. O melhor da saudade não está em apegar-se a ela. Consiste em, movidos por ela, vivermos o presente.
No meu caso, a saudade dos tempos de universitário me impulsiona a ser um profissional condizente com o que a universidade me proporcionou.
No rico e plural universo da UnB, encontra-se espaço inclusive para professar a própria fé. Vez ou outra, eu conseguia encontrar tempo para participar das missas improvisadas em salas de aula. A mesa de madeira do professor virava altar. As carteiras dos alunos transformavam-se nos bancos dos fiéis. Em minutos, o palco estava armado e as preces e os cantos prontos para ecoar pelos corredores. Era ali, naquele clima, que eu aproveitava para agradecer a Deus pela divindade de ser estudante da UnB. Divindade traduzida em quatro anos de amadurecimento, de crescimento pessoal e profissional. Obrigado, professora Rosângela, por me lembrar dessa divindade.
Bonito!
Não fui aluno, mas vivi, como funcionário, muito disso.