A praga do serviço público
outubro 28, 2008 por Diego Amorim
Retomo a polêmica que certa vez travei aqui no blog sobre a praga do serviço público em Brasília.
Hoje estava na Câmara Legislativa conversando com um senhor que me dizia o seguinte: "A praga do serviço público contaminou Brasília".
Não vale a pena ser radical demais em nada na vida. Aprendi isso e minha vida tem sido muito mais leve desde então. Faço essa ressalva porque já fui meio radical com essa história de serviço público. Angustiava-me ver que, em Brasília, a cada 10 amigos que tinha, 11 queriam prestar concurso.
Mudei um pouquinho meu pensamento. Mas hoje conversando com esse senhor, ouvindo-o sobretudo, fiquei pensando que de fato Brasília está contaminada por uma praga preocupante.
Vejam bem, meus caros leitores e servidores públicos, não faço aqui generalização alguma. Toda generalização, diga-se de passagem, é burra, como todos nós sabemos.
No entanto, não posso deixar de concordar que a praga do serviço público existe e é de fato perigosa.
Falo dos que, sem sonho algum na vida, sem motivação alguma, sem planos, sem sonhos, sem projetos, sem desejos profissionais, fazem um curso superior qualquer apenas para garantir o diploma e tentar um concurso.
Falo dos que acham que concurso público é a saída para tudo na vida. Dos que, para agradar o papai e a mamãe e convencê-los de que poderão ser alguém na vida, largam projetos pessoais para prestar concurso público.
Falo dos que se inscrevem em cursinho e se matam de estudar para entrar no serviço público com a mentalidade alienada da tal estabilidade. Sim, ela existe. Como também existe no mundo privado.
Falo dos que não conseguem ver o serviço público como serviço público. Dos que, sem pensar no bem do país nem nada, optam pelo caminho do serviço público pensando única e exclusivamente no próprio umbigo.
Daí, meus caros, desse penssamento pequeno, surgem os servidores viciados em Orkuts e MSNs. Aqueles que nada acrescentam para o país e que ainda são bancados pelo suado dinheiro do contribuinte.
Falo daqueles que - atire o primeiro mouse quem não conhece pelo menos um – passam o dia inteiro mandando correntes de e-mail para todo mundo.
Repito e friso: não generalizo. Jamais. Não faço juízo de valor algum. E também repito: a estabilidade que se deseja no serviço público é louvável. Mas ela, a tal estabilidade, não é tudo na vida, não é sinônimo de felicidade, muito menos de sucesso profissional.
Não há vagas para todos no serviço público. E nunca haverá.
- Daqui a pouco vai ter gente se jogando da torre e da ponte porque não há vagas para todos – disse-me o senhor com quem conversei hoje.
Faz sentido.
Com essa nóia sem igual em torno do serviço público, não há investimento no serviço privado. Os jovens, muitos deles pelo menos, atrofiaram suas idéias. Não conseguem pensar em nada além de cursinhos. Não conseguem bolar estratégias pessoais, criar formas criativas de ganhar dinheiro, de montar negócios próprios, nada disso.
O caminho, para muita gente, é um só. Não há opções. A satisfação pessoal e profissional se resumiu, em Brasília, a passar num bom concurso público.
E, convenhamos, está muito longe de isso ser verdade.
longe, muito longe mesmo!
e vamos combinar: tem nada mais chato, pé no saco e “ai que vontade de vomitar” do que se encontrar com seus amigos, perguntar como eles estão e aí vem aquela resposta: “estudando pra concurso. to fazendo cursinho num sei onde, fiz essa semana a prova do TSE, acho que fui bem. mas já to classificado no Ministério do Trabalho, semana que vem vou fazer a do ibama. Tu acredita que caiu uma questão de direito penal na prova do senado que falava…”
Eu ignoro… solenemente.
“Toda generalização, diga-se de passagem, é burra, COMO É SABIDO DE TODOS.”
Foi de propósito, né? ^_^
O que seria deste blog sem o olhar atento de Fábio Alves…