Onde vamos parar?
março 25, 2009 por Diego Amorim
A violência está fora de controle. A sensação de insegurança nos sufoca a cada dia. Deixa-nos paranóicos, amedrontados.
Conheço gente que não lê jornal para não alimentar esse pavor da realidade. Não quer nem saber o que se passa no mundo. Eu não posso fugir disso. Leio e escrevo sobre as barbaridades que não podemos esconder.
“É exagero da imprensa! Violência sempre existiu!”
Não, não é por aí. A violência tem de fato aumentado. Muito. A vida já perdeu sentido para muita gente. Estamos virando eternos reféns da crueldade.
Brasília viveu uma noite de terror na última madrugada. Dois menores e um maior de idade roubaram oito carros. Mataram uma pessoa e feriram outra.
Mas, pena que isso é apenas um dos vários crimes medonhos que temos vistos ocorrer na capital federal. E pena também que Brasília não é a única a mergulhar na criminalidade de maneira tão rápida e assustadora.
E aí? Vamos todos nos trancar em casa? Não. Acho que não.
Hoje, enquanto apurava as matérias de crime do dia, fiz questão de ligar para os meus pais e irmãos e contar a eles a realidade.
“A situação está complicada. Fiquem atento”, disse.
Ser prudente não é ser medroso, minha gente.
Quando nos sentimos ameaçados, é fácil usar discursos vagos, sabia? Tem muita gente por aí que acha simples resolver o problema da violência.
“Vamos matar todos os bandidos! Bandido merece morrer!”
Bobagem. Pode servir para satisfazer essa vontade besta de alguns. Mas pouco adiantará. E ainda pode causar efeito contrário, aumentando a violência. Quem comete crime não teme a morte.
“Você fala isso porque nunca aconteceu nada com você!”
Errado. Já fui sequestrado. Passei cerca de duas horas com uma arma nas costas, fui obrigado a ficar de cueca e, mesmo assim, não desejo a morte dos dois caras que me pegaram. Não é por aí.
Reduzir a maioridade penal para evitar que menores cometam crimes?
Balela. Se reduzirmos para 16 anos, teremos que daqui a pouco reduzir para 14, 12, 10… Não duvidem: em pouco tempo, vai ter gente defendendo a morte de todo mundo que nascer em família suspeita.
Então vamos aumentar as penas, instalar a pena de morte em todo o mundo?
Podem tentar, não vai mudar muita coisa. Repito: quem comete crime não teme a morte. Não está nada preocupado com pena alguma. A vida perdeu sentido para essa gente. Tanto faz como tanto fez.
O rico cada vez mais rico. O pobre cada vez mais pobre. As diferenças, as desigualdades e o abismo social abastecem os crimes.
Quem rouba quer ter, de um jeito ou de outro, o que a vida não lhe permitiu ter. Estou, com isso, justificando o roubo? De forma alguma. O que ajudar a explicar não justifica, mas ajuda a explicar.
Conversando com policiais nas últimas semanas tenho ouvido deles que Brasília estará pior que o Rio de Janeiro em, no máximo, cinco anos.
Quando o crime organizado descobrir que “o paraíso dos servidores” – cada vez mais ricos – pode ser também o “paraíso do crime”, o bicho vai pegar.
Os malas que agem no Plano Piloto começam a se organizar. Os “pé de chinelo” estão virando bandidos de verdade. Estão ficando ousados. Desafiando a polícia, Deus e o mundo.
Os governos insistem em políticas tacanhas e populistas. Instalaram aqui no Distrito Federal dezenas de postos de segurança. Na campanha da reeleição, o governador usará os números para tentar se manter no poder.
Porém, quando a quadra residencial onde moro foi tomada pelo tráfico do crack, fui a um desses postos. Sabe o que ouvi? “Não podemos fazer nada”. Nem sair dali os policiais podem, minha gente. É ordem. Para que servem, então, esses postos? Para enganar trouxa.
Polícia preparada, políticas públicas decentes, mudanças na legislação, tudo isso pode ajudar de alguma forma a amenizar o problema.
Mas, deixem-me ir mais longe?
Essa violência desenfreada é resultado de uma doença que assola a humanidade: a falta de um sentido para viver.
Vamos ser óbvios: quem rouba algo material quer ter aquilo porque acha que o sentido da vida pode estar ali, nos bens, na riqueza, no ter o que playboy tem.
Assim como quem usa drogas busca, no fundo, preencher um vazio que o incomoda. Aí ele busca na maconha, na cocaína ou no crack a fuga de uma realidade que ele não aceita.
Não, não sou sociólogo nem antropólogo nem estudioso de nada. E, sim, talvez seja confortável para mim escrever tudo isso.
Mas não posso fugir do que acredito. Continuo a crer que o que falta em nós é sentido à vida. Desejo, de verdade, que nós, leitores da vida, possamos de alguma forma encontrá-lo.
Falta sentido mesmo. É mais “fácil” falar p eliminar com os bandidos do que fazer algo a respeito. É complicada esta situação. Nem em policial a gente não sabe se confia.
Falta realmente um sentido. Não sei se vcs viram a materia da veja de algumas semanas atras, que falava que os jovens querem TER algo e não mais SER algo. Não possuem ideal nem nada. Discordo que a diferença social é o problema. Se não, rico não roubaria e todo pobre seria bandido. Mas vemos que tem ricos, como politicos, que roubame muito e pobres que são muito honestos. Mais que eu e um monte de leitor aqui. Vejo dois problemas: a falta de formação. Ninguem mais forma. Nem pais, nem escola nem ninguem! E o outro que deixamos de nos preocupar com erros pequenos. E assim, tudo começa a ser aceito. E ai, os grandes erros começam a ser cometido com mais frequencia. Desde falar palavrão, temos que nos preocupar. Concordo com o Alexandre Garcia que as sociedades que todos seguem as regras (desde de nao passar em sinal vermelho ate tudo) e seguem os principios da moral e da ética (seguem mesmo, desde de regras de boa convivencia, como benedicência e nao estacionar em lugar errado, ateh viver a caridade) todos são mais felizes, pois ficam seguros. E é urgente que as pessoas se formem nesse sentido. Creio que nossa geração já era! Mas o que podemos fazer pelos adolescentes de hoje e por nossos filhos? para mudar uma estrutura é necessário tempo, como em Uganda que venceu a AIDS pela castidade melhor do que todos os paises da Africa que insistem em Camisinha. É duro, parece improvável, nossos tempos mudaram, mas os resultados são concretos. Voltar a ter moral (não ser moralista nem achar que tem moral e ninguem tem) não é tão ruim assim. A falta de se preocupar com isso chega a nossa porta, talvez seja hora de repensar!
Gostei do seu post Diego… abordou um assunto que há dias vem tomando conta dos meus pensamentos. Tenho lido as notícias e ando com um medo sem fim do que pode nos acontecer. Dá desespero sair de casa, dá desespero pensar que a qualquer momento podemos ser a próxima vítima. Antes achava ruim ter um carro velho, agora acho até bom, e nem me preocupo em deixá-lo sempre limpinho, pq assim chama menos a atenção.
Nós estamos sendo cercados por uma criminalidade que choca e banaliza o sentido da vida. Não só assaltos, mas tb estupros, assassinatos, violência de todo tipo que vem de todos os lados.
Eu ando meio desesperada… me pergunto onde iremos parar. Sem exageros, a cada dia, a cada 24 hs, tudo piora: Mais doentes, mais crimes, mais engarrafamentos, mais poluíção, mais corrupção, mais maldades, mais distantes ficamos de Deus.
Para nós Cristãos, ainda podemos pelo menos chorar pra Deus… e clamar por ajuda. Mas a verdade é que estamos presos nesse mundo que se afunda a cada dia. Nessas horas, até nossa fé fica abalada…
Não sei o que acontecerá nos próximos dias, meses e anos.
Espero de verdade que assim como eu, muitas pessoas ainda tenham força para pedir a Deus por um mundo melhor. Não sei se tem conserto… mas pelo menos vamos tentar. Enquanto isso, nos resta viver intensamente cada dia… e aproveitar enquanto é tempo.
Desculpe o desabafo tb… mas juro que estou perdendo o sono com tanta coisa ruim.
Diego Amorin,
Continue assim. Seu texto reflete a minha angústia e de alguma forma me conforta saber que a esperança se renova na sua juventude. Já que a sua profissão lhe permite fazer-se ouvir, não se cale nunca. Quando jovem, usei a força da minha idade para minorar o meu inconformismo. Nunca calei, nem cansei, até chegar a hora de deixar a sala de aula e os meus adolescentes. Muitos, foram transformados, muitos porém se perderam, mas ainda assim, acho que valeu a pena. Então, siga em frente e faça juz ao talento e as oportunidades que Deus lhe deu .
Um grande abraço
Carmen Pagy
Prezado Diego,
Descobri seu blog por acaso, quando pesquisava sobre os “suicídios no Pátio Brasil”, assunto que não tinha conhecimento e uma amiga me contou. Fiquei pasma !!
Amei seu blog e seu jeito de expor as coisas que estão nos preocupando e de certa forma, como mãe, me deixando em pânico.
Concordo com tudo que você disse sobre as causas da violância, mas acredito também, que a maioria destes bandidos agem por inveja e muitos deles, já nascem com má indole.
Faz uma semana que meu filho sofreu uma violência na rua, destas que a gente nunca pensa que vai acontecer conosco. Ele voltava de uma boate as 03:50 horas, quando por inocência ou falta de noção de perigo, parou o carro perto de casa para fazer xixi. Quando de repente, não se sabe de onde, surgiu um Celta prata com os “pit-bulls” (eram três elementos) que saltaram fazendo ameaça de espancamento e de morte para cima do meu filho. Começaram jogando pedras no carro. Sorte, ou misericórdia de Deus, meu filho conseguiu entrar no carro rapidamente e sair em fuga. Esta fuga culminou numa perseguição de mais de meia hora, da asa sul para a asa norte, ida e volta e meu filho em pânico, dirigindo além da velocidade permitida, sendo perseguido por estes monstros desumanos o tempo todo com os faróis em cima dele, impedindo que meu filho identificasse a placa do veículo. No final, quando enfim, meu filho parou dentro de uma quadra, um dos monstros, gordo e careca, desceu do carro e pegou uma barra de ferro de uns 3 metros (usada para fazer andaime de construção) e quebrou o vidro traseiro lateral, do lado do motorista. A violência foi tanta, que o enconsto de cabeça foi furado e meu filho ferido no ombro e braço esquerdo. Neste exato momento, meu filho aproveitou para fugir, passando por cima de calçada, grama, entre árvores, num ato de desespero. Por pouco, pouquíssimo, meu filho não foi assassinado. Não gosto nem de pensar. E sabe porquê??? Por nada, absolutamente nada. Só porque viram meu filho sozinho na rua fazendo xixi.
Você pode fazer idéia do quanto sofremos e das consequências que este ato de maldade causou. Prefiro nem entrar em detalhes.
Continue amigo, continue alertando as pessoas. Desta forma você não estará cruzando os braços como fazem nossas autoridades e até mesmo a polícia.
Abraço.
Cibele
Brasília- DF
Lendo a vida de uma superquadra ou de um shopping do Plano Piloto, chega-se à conclusão que a violência se resume à “falta de Deus”, à “ausência de família”, à “falta de valor à vida” e à “falta de dinheiro”.
Lendo a vida dessa forma, os nobres moradores do Plano Piloto que alimentam o tráfico por meio do cosumo de drogas não têm nada a ver com a tal violência. Nem a gente endinheirada do naipe da dona da Daslu. No caso dessa, aliás, chegarão à coonclusão que é uma vítima, pois está doente, coitada.