Onde vamos parar? (2)
março 27, 2009 por Diego Amorim
Sobre o post abaixo, o leitor Renato Alves comentou o seguinte:
“Lendo a vida de uma superquadra ou de um shopping do Plano Piloto, chega-se à conclusão que a violência se resume à “falta de Deus”, à “ausência de família”, à “falta de valor à vida” e à “falta de dinheiro”.
Lendo a vida dessa forma, os nobres moradores do Plano Piloto que alimentam o tráfico por meio do cosumo de drogas não têm nada a ver com a tal violência. Nem a gente endinheirada do naipe da dona da Daslu. No caso dessa, aliás, chegarão à coonclusão que é uma vítima, pois está doente, coitada.”
Não acho que exista essa associação, Renato. Entendo – e concordo – que tudo o que você elencou entre aspas não são os únicos responsáveis pela violência. Nem mesmo escrevi isso.
Acredito, sim, que a falta de um sentido à vida e o aumento das desigualdades (não necessariamente a falta de dinheiro) ajudam a turbinar a violência.
Mas, repito o que já escrevi aqui: nada disso justifica, mas ajuda a explicar.
Quando bato na tecla do tal “sentido à vida” é na intenção de fugirmos das soluções tradicionais, que até então não deram certo. Quando se debate segurança pública, a discussão se concentra na superficialidade, fala-se muito em adotar medidas que não resolvem o problema porque tentam contê-lo pela superfície, e não pela raiz.
O debate que proponho não isenta o Estado de cumprir o seu papel.
Sobre as drogas, temos o mesmo pensamento. E já externei isso aqui outras vezes. Nossos coleguinhas do Plano, de Copacabana, da Vila Madalena, os que “fumam unzinho aqui e outro acolá”, ajudam a alimentar o tráfico e a violência. Eles sabem disso.
“é tu que financia essa porra, playboy de merda. Traz o saco!”, diria Capitão Nascimento.
A discussão é até certo ponto importante… Mas de nada adiantará se não colocarmos nada em prática. E de tudo dito, o mais correto está na tolerância zero. Isso foi feito em Nova Iorque e os crimes diminuiram drasticamente. Eu não digo de termos apenas Capitães Nascimentos nas ruas e sim de assumirmos a postura que o Lucas comentou! Corrigirmos e não cometermos pequenos erros, pequenos crimes, os famosos jeitinhos burlando a lei para conseguir o que queremos.
Diego,
Parabéns pelo blog! Foi indicado por uma amiga e sempre que posso dou uma passadinha por aqui e encontro algo interessante para ler!
Tempos atrás tinha uma campanha que falava que quem usa drogas financia o tráfico.
Porém acho meio simplista demais esse pensamento.
Já trabalhei com isso, não é tão simples.