Suicídios no Pátio Brasil – Prevenir é possível
maio 2, 2009 por Diego Amorim
O Correio ouviu o professor Marcelo Tavares, 52 anos, coordenador do Núcleo de Intervenção em Crise e Prevenção do Suicídio, do Instituto de Psicologia da UnB, e a maior autoridade no assunto em Brasília. Para ele, o suicídio configura hoje sério problema de saúde pública em todos os países. “Dados da OMS (Organização Mundial de Saúde) mostram que, no mundo, há pelo menos uma tentativa de autoextermínio a cada três segundos. É uma das três maiores causas de mortes de pessoas de 15 a 35 anos.”
Tavares acredita que a prevenção demanda atenção de toda a sociedade. “Por ser um fenômeno complexo, resultante da interação de diversos fatores biológicos, psicológicos, sociais, culturais e ambientais, o suicídio não pode ser combatido a partir de ações isoladas”, define. E complementa: “O suicídio é um ato impulsivo. Portanto, quando a pessoa encontra uma pequena dificuldade, um esforço a mais para executar a ação, isso pode provocar uma desistência do ato, o suficiente para impedir”. E ele vai além: “O controle de acesso ao método retira a oportunidade, ameniza a impulsividade, reduz a letalidade e cria novas condições, como a possibilidade de apoio ou de tratamento.”
De acordo com o psicólogo, no artigo Suicídio: possível prevenir, impossível remediar, “as escolhas dos meios de suicídios são influenciadas por numerosos fatores relacionados à sua visibilidade, como a facilidade e a disponibilidade”. “Lugares bonitos e públicos podem criar um contexto para imortalizar e glorificar a própria morte na forma de um eloquente discurso final”, argumenta. Tavares faz um alerta: “Edifícios altos, como shopping centers e hotéis, são locais preferidos para a atuação suicida de altíssima letalidade. No entanto, os profissionais que projetam e constroem tais espaços ainda não estão sensibilizados para desenvolverem uma estrutura preventiva desde a concepção da obra até sua administração. Ainda mais grave é a falta de controle de acesso”, critica.
Estudos da OMS indicam que cada suicídio afeta significativamente pelo menos seis pessoas. Membros da família ficam mais suscetíveis a considerá-lo como uma alternativa a seus problemas. Tornam-se também pessoas em risco. “Se o suicídio ocorre em lugar de ampla circulação pública, seu alcance é ampliado. Muitos do que presenciam o fato podem sofrer danos, sobretudo aqueles já vulneráveis”, observa o especialista. O psicólogo lembra que não existem suicidas, mas “pessoas em sofrimento” que, em momentos de desamparo, buscam alternativas desesperadas para sair daquela situação. “Isso é transitório. Tenho pacientes que fizeram apenas uma tentativa, superaram e hoje estão muito bem.”
Um dos maiores estudiosos da prevenção em suicídios do país, que se debruça no tema desde 1987, Tavares acredita que o silêncio, o “não falar sobre isso”, apenas prejudica. “A responsabilidade da prevenção é de todos, mas a mídia tem um lugar especial, pois atinge as pessoas, sendo dificilmente neutra nesta questão”, avalia. E prossegue: “Uma constatação fundamental é que a prevenção não se faz pela glamorização dos problemas ou dificuldades, mas pela informação de como obter apoio psicológico; pelo desenvolvimento de habilidades positivas de enfrentamento, como, por exemplo, a autoestima, a habilidade de expressão afetiva-emocional, o relacionamento e suporte social, entre outras; e pelo relato de histórias bem-sucedidas de superação de dificuldades, principalmente dos fatores positivos envolvidos na superação”.
(Parte de reportagem publicada no Correio Braziliense em 02/05/2009)
Prezado Diego,
Sempre achei que isso fosse uma lenda urbana… infelizmente eu estava errado. Esta matéria tem que repercutir. Li a matéria no Correio e, para minha surpresa, ao procurar no Google o termo suicídio, o Pátio Brasil é SUGERIDO, com 55.500 resultados… isso é absurdo.
Só fico imaginando como deve ser trabalhar todos os dias naquele shopping: será que hoje alguém vai se suicidar ?
Será que nenhuma autoridade da Capital do País tem noção de suas obrigações ? serão todos coniventes ?
Na minha opinião, a morte do Pedro Lucas (e a dos outros), deve ser atribuída a todos que poderiam ter feito algo para evitá-la (ou ao menos dificultá-la).
Não vou me calar. Vou encaminhar a toda minha lista de contatos esta matéria. Aliás, vou encaminhar para a Administração Regional de Brasília, CREA e Secretaria de Segurança, Ministério Público, etc… um email questionando e instando-os a atuar neste caso.
Basta de silêncio. Basta de mortes no Pátio Brasil
Também sempre achei que fosse lenda urbana. Infelizmente, tristemente, hoje com o caso Pedro Lucas fiquei sabendo que a lenda tem nomes e sobrenomes….
Nunca mais piso naquele lugar. Eu achava que era só difamação do local, hoje vejo que é verdade, e tudo continua na maior normalidade. Que macabro. Fui lá outro dia mesmo, estava um clima horrível, vai ver tinha ocorrido algo e eu nem percebí.
Sempre ouvia comentários sobre os suicídios no Pário mas nunca havia lido algo concreto sobre o assunto, e confesso q me espantei com a matéria no Correio de sábado. Trabalhei no Pátio Brasil logo no início, qndo da sua inauguração e pelo menos no tempo em que trabalhei lá isso nunca havia acontecido, fiquei lá até 98 e não lembro de nenhum caso assim.
É fato que a administração do shopping deve tomar providências pra resolver essa situação, caso contrário o problema só irá agravar, como as estatísticas já comprovam, mas outro ponto q deve ser observado tmb é o comportamento das pessoas em casa [por familiares, amigos e pessoas do convívio diário], já q o shopping não é o único lugar onde alguém pode atentar contra a própria vida.
[Parabéns pelo blog.]
beijos
Diego,
atualizando a leitura do blog.
Um tema que não sei a melhor forma para ser abordado. Tenho duas amigas trabalhando em hospitais e me disseram que o número de suícidios é altíssimo. Aqui, veneno para rato tem sido o meio mais usado. Não saber lidar com as perdas e as frustrações, principalmente nos términos de namoro, tem sido os casos mais relatados pelos que sobreviveram. É preocupante.
abraço, saudades de Brasília.
Matéria muito boa do correio, e a atitude mais ainda a do Sr: Marcos Dantas, dou tolal apoio.
Falar em divulgação desse tipo fato é realmente muito difícil, principalmente para quem passa por esse tipo de situação, as vezes acho que se deve divulgar as vezes acho que não.
E de alguma forma garantir a segurança e almentar o nivel de dificuldade para que isso ocorra novamente.
Tenho acompanhado o bloguer desde o ocorrido com o Pedro um cara muito bacana!!!
parabéns!
Acho que o pai do Pedro deve procurar o Ministério Público pois isso realmente virou um caso de segurança púlica.
Vários casos aconteceram na Torre de TV e depois de alguns, foi colocada aquela grade alta e sempre que alguém faz menção de subir, aparece um segurança para impedir.
No Pátio é possível fazer a mesma coisa.