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Melhor que Galvão Bueno

O futebol, ah o futebol: sempre uma caixinha de surpresas.

Na noite da última quarta-feira, o São Paulo, meu time, jogava contra o Santo André pelo campeonato paulista. Precisava da vitória para avançar na competição. A Globo transmitia a partida. 

Invadi o quarto da minha mãe, coloquei no futebol e fiquei por ali. Ela, surpreendentemente, não pediu que eu mudasse de canal. Gostei e ficamos os dois vendo a partida deitados na cama. E aí…

- Mas é difícil esse esporte, não é meu filho? Olha, olha! Eita, que interessante: quando um pega a bola, o outro já vem pra tentar roubar. É difícil demais…

- Falta! Foi falta! Ué, então é bem melhor fazer a falta do que deixar o cara seguir pro gol, né? O melhor jeito é fazer falta.

- Quem é esse novinho? Não conheço mais ninguém. Tudo novinho, desconhecido… (silêncio) Meu filho, cadê aquele Marcelinho?

- Esse time de azul (o Santo André) parece melhor que o outro.

- E aquela Copa que o Ronaldinho passou mal? O que aconteceu naquele dia, ein? Ninguém nunca vai saber, né? Foi estranho, muito estranho.

- Esse campo não tá bom, não. Olha aí, todo esburacado.

- Vai, vai… Ué, o que houve? Impedido? O que é isso? Por quê?

O São Paulo ganhou de 3 a 1. Joga neste domingo contra os moleques do Santos pela primeira partida da semifinal. Minha mãe deu sorte. Vou tentar convencê-la a ver o jogo de novo.

As pessoas mudam

Impressionante como temos a capacidade de criar estereótipos das pessoas e pronto: daquele jeitinho as encaramos para sempre, como se elas não tivessem a mínima chance de mudar.

As pessoas mudam. E mudam muito. Tem gente que gosta de falar assim: “Mudei, mas continuo com a mesma essência”. Balela, em muitos casos. Até as essências mudam com uma facilidade incrível.

Mas parece que é mais fácil engessar as pessoas em grupos, em categorias. É mais confortável elencar características eternas para os outros. Fulano é assim, sicrano é assado. Simples.

Repito: as pessoas mudam. Não faço juízo de valor. Não ouso definir se elas mudam para melhor ou para pior.  Só sei que mudam. E eu e você precisamos estar atentos a isso.

Estereotipar o outro, quase que criando um personagem em torno dele, empobrece e muito nossos relacionamentos. Perdemos oportunidades. Deixamos de nos surpreender. Criamos barreiras desnecessárias. E acabamos sendo injustos. Com o outro e com a gente mesmo.

E a humanidade jamais foi a mesma

Cruz e ressurreição.

Esse é um dos principais ensinamentos que Cristo nos deixou.

Nossa vida é feita de altos e baixos, para usar um clichê. Feita de alegrias e tristezas, de risos e lágrimas, de boas surpresas e decepções, de promoções e demissões, e por aí vai.

Quando entendemos e aceitamos esse mistério, conseguimos viver intensamente. Sofremos menos com a cruz e seguramos a euforia na hora da ressurreição. Alcançamos o tal equilíbrio de que tanto falam.

A todos os leitores da vida, uma feliz Páscoa!

Minuto de sabedoria

Eis que estou almoçando em um mercado do Núcleo Bandeirante, em pleno plantão de Semana Santa, e me deparo com um poeta.

Na fila pra pagar a conta, parei atrás de um senhor que devia estar na sua terceira ou quarta garrafa de cerveja, sozinho.

Ele mandava uma mensagem no celular. Não teve jeito. Acabei lendo.

“O passado é uma luz que nada ajuda no futuro”.

Simples e profundo.

O feioso que conquistou mamãe

- Ô mas eu tô gostando desse feioso – comentou minha mãe, em voz alta, na sala, enquanto lia alguma coisa na internet.

- Quem mãe? – perguntei.

- Esse feioso aqui. Do olho morto, da cara torta. Ele é feio demais, estranho. Mas tô gostando dele.

- Quem é mãe? – insisti.

- Não sei o nome. Esse promotor aqui, da Isabella.

- Francisco Cembranelli?

- Isso. Ô cara bom, competente.

- É, né?

- É. Pra você ver como beleza muitas vezes não tem nada a ver mesmo. Toda mulher queria casar com um homem competente desse.

- É, mãe?

- É, meu filho. Se eu fosse solteira, eu acho que gostaria dele.

- Como é que é?!

Ainda bem que meu pai não lê meu blog.

Minha mãe é a “padroeira” do Ler a Vida. Ela é uma das que me ensinou e me ensina a viver. Tá, às vezes com um comentário desses aí, mas ensina.

Pra quem não acompanha o blog há muito tempo, seguem algumas das histórias mais pitorescas da minha mãe que já partilhei com vocês por aqui:

A dura vida real

Blog de verdade

Esta é minha mãe

A última da minha mãe

Mais uma da minha mãe…

Melhor que pegadinha do Mução

Torcida BBB

Daqui a pouco vou ouvir gritos ecoando aqui na minha quadra por causa da final do Big Brother. É sempre assim. Pior que em dia de jogo do Flamengo.

Vieram me perguntar hoje pra quem eu estava torcendo. Pra ninguém. Ninguém merece ganhar R$ 1,5 milhão pra participar daquilo ali. Ninguém mesmo.

Torço por quem se esforça, ora. Por quem rala, por quem sua a camisa, por quem trabalha pra caramba.

Eles mereciam apenas a fama repentina que já lhes pertence. Nada mais.

Se algum talento nato surgisse - caso da Grazi em edições anteriores -, torceria para que ele conquistasse seu espaço e dele tirasse proveito.

Mas torcer e votar pra que um ser humano ganhe R$ 1,5 milhão em BBB, ah não. É demais pra mim.

Vai entender…

Arruda bateu o pé. Choramingou que queria ser ouvido. Seus advogados insistiram: “Sequer ouviram nosso cliente”.

A Polícia Federal decidiu, então, ouvir hoje o careca deprimido. O que ele disse? Nadica de nada. Ficou mudo. Calado.

Novo Ler a Vida vem aí

Há pouco mais de um mês sem escrever por aqui, volto para anunciar que em breve o Ler a Vida estará de cara nova. Até o fim deste mês, mais precisamente, o layout vai mudar e explorarei mais imagens, áudio e vídeo.

Com isso, tento me redimir dessa ausência repentina.

Desde 9 de fevereiro, data do último post, muitas águas rolaram. Na minha vida e certamente na sua.

Eu vi Arruda sair da residência oficial direto para a prisão e lá permanecer. Cai no rebolation em Salvador. Voltei para a academia, de novo. Recebi a notícia de que serei tio. E rasguei muito papel antigo entulhado no meu quarto.

Lendo a vida, vivendo a vida. Sempre mais real que virtual.

Chora, Arruda, chora!

A casa caiu de vez.

A Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) acaba de pedir a prisão preventiva do governador dos panetones.

Mais cedo, a Justiça eleitoral havia pedido o mandato do careca.

O dia está pegando fogo. Nos bastidores, já se fala na possibilidade de ele renunciar antes mesmo da chegada do carnaval.

Vamos ensaiando: “Se gritar pega ladrão, não fica um meu irmão…”

Morte que impulsiona vida

Não sabemos quando a morte vem.

Por mais óbvia que ela seja em alguns casos, ela é sempre uma surpresa. Sempre nos pega despreprados, desprevenidos.

Esta semana, fez um ano da morte de Osíris Del Corso, colega e irmão de uma grande amiga, que hoje mora em Curitiba.

A morte de Osíris, alvejado por um criminoso ao tentar salvar a namorada de um estupro, dói a cada dia na alma dos que o conheciam.

A vida segue. Tem que seguir.

Lá se vão seis meses da morte de Carlos Henrique Naón da Silva, o Kaká, outro colega que sofreu um acidente de trânsito aqui em Brasília e deixou um tremendo vazio no coração de mãe, pai, irmão e amigos.

A vida também segue. Apesar de tudo, segue.

Hoje recebi a triste notícia da morte da irmã de um grande amigo, alguém que me ajuda a ler a vida como ninguém. Trata-se de uma jovem de 26 anos, vítima de uma grave infecção.

A vida seguirá. Sei que seguirá.

E nós? O que queremos da vida? O que buscamos?

Quais têm sido as nossas preocupações, nossas angústias, nossas vontades? O que tem ocupado nossos pensamentos?

Perdemos tanto tempo com besteira. Gastamos tanta energia nos martirizando à toa, nos humilhando por migalhas, chorando derrotas infundadas.

Quantos de nós já não nos maltratamos com sofrimentos fantasiosos?

A gente custa a acreditar, mas tudo e todos passam. E muito rápido.

Mais cedo ou mais tarde, será a nossa vez de morrer.

Tem gente que não gosta nem de ler isso, e tem uma tremenda dificuldade de aceitar isso. Faz parte da nossa cultura ocidental.

É cada vez maior o bloco dos descontentes com a vida, dos que acham que é balela parar pra pensar no que estamos fazendo com a nossa história.

Enquanto isso, vamos levando a vida. Deixando a vida nos levar.

Nossa plenitude está mais perto de nós do que podemos imaginar. É mais simples do que pensamos.

A verdade é que a morte não pode nos amedrontar.

Pelo contrário. A certeza dela precisa nos impulsionar a viver.

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